A ADIBER, em parceria com o GAL Coimbra Mais Futuro e o ISR da Universidade de Coimbra, participa no Projeto Renoverty, financiado pelo Programa LIFE. O objetivo é promover a eficiência energética e combater a pobreza energética em áreas rurais, através de soluções sustentáveis para melhorar as habitações em territórios vulneráveis. No dia 29 de novembro de 2024, foi apresentado o projeto-piloto em Vila Nova de Oliveirinha (Tábua), onde foram realizadas auditorias energéticas em 10 habitações, identificando melhorias e propondo soluções práticas. A iniciativa também destacou a importância das Comunidades de Energia Renovável e Balcões Únicos para a inclusão e a transição energética. O Presidente da Câmara de Tábua, Ricardo Cruz, apoiou a iniciativa, e o Presidente da ADIBER, Miguel Ventura, reforçou o compromisso com a sustentabilidade e o uso de energias renováveis na região.
Intervenção
Em conjunto com os GAL e outros facilitadores locais (associações locais, presidente da junta de freguesia, grupos folclóricos, filarmónicas, etc.), todos eles pessoas de confiança da comunidade local, foram mapeados, identificados e recrutados os agregados familiares mais vulneráveis da região para participarem num workshop de sensibilização nas suas aldeias, em horário pós-laboral.
O Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra, ISR-UC10, no seu papel de parceiro do projeto, apresentou e explicou o projeto RENOVERTY e envolveu 10 agregados familiares em cada região, que estavam interessados em participar nas atividades do projeto, através da assinatura de um memorando de entendimento.
O passo seguinte foi o agendamento das auditorias energéticas, oferecidas pelo projeto, com o objetivo de emitir certificados energéticos e os respetivos relatórios técnicos, obtendo assim dados reais no local que servem de amostragem do estado do parque habitacional do território.
Os parceiros do RENOVERTY acompanharam cada visita para recolher informações adicionais para compreender as principais necessidades energéticas de cada agregado familiar e identificar os obstáculos, ao mesmo tempo que forneciam aos agregados familiares dicas para a poupança de energia e os sensibilizavam para a importância de melhorar a eficiência energética assim como os impactos das renovações.
Os auditores visitaram todas as habitações, efetuaram medições e recolheram os dados necessários para a avaliação do desempenho energético de cada habitação.
Os dados foram utilizados para emitir o certificado energético (CE), identificar potenciais melhorias de eficiência energética a efetuar e fornecer uma lista de recomendações, e como base de referência para simulações do modelo dinâmico de alta resolução dE-mand-sidEManagement (DREEM). Os certificados energéticos oficiais foram registados na plataforma ADENE para cada habitação auditada.
Objetivos da intervenção
- Promover o conforto e a qualidade de vida;
- Incitar o comportamento térmico adequado;
- Aumentar a eficiência e durabilidade dos sistemas técnicos;
- Valorizar a boa gestão da energia;
- Fornecer informações sobre os programas e mecanismos de financiamento existentes;
- Incrementar a utilização de fontes de energia renovável.
Intervenientes no território
No âmbito deste projeto os atores intermédios desempenharam um papel crucial na promoção e aplicação territorial do roteiro.
O caso de Vila Nova de Oliveirinha é um bom exemplo de forte envolvimento e vontade do município, de Tábua juntamente com o GAL ADIBER Beira Serra e a associação local de habitação, de se candidatar aos Fundos Europeus de Desenvolvimento (fundos estruturais regionais) para requalificar o território e reabilitar o parque habitacional.
Expectativas dos beneficiários
As expectativas dos habitantes eram elevadas, particularmente no que diz respeito às potenciais melhorias no isolamento da casa para resolver o problema das correntes de ar e da humidade, uma vez que existiam muitas fugas e formação de bolor nas janelas e paredes.
Também estavam ansiosos por receber o certificado oficial, porque os programas de incentivo para renovações exigem muitas vezes que a casa tenha um certificado válido, como requisito para se candidatarem, o que custa cerca de 200-400 euros para uma casa unifamiliar típica, dependendo do tipo e dimensão da casa, da complexidade do sistema de aquecimento, arrefecimento e ventilação, da documentação fornecida, da distância, etc. Além disso, em Portugal, os proprietários do edifício devem obter um Certificado energético (CE) se o edifício/casa for vendido ou arrendado. O custo do CE pode ser um obstáculo inicial ao processo de renovação energética das habitações das famílias em situação de pobreza energética.
Outras expectativas
1) Melhoria da qualidade de vida
As casas energeticamente eficientes proporcionam melhores condições de vida, incluindo temperaturas interiores mais confortáveis, melhor qualidade do ar e redução da humidade e do bolor e consequentemente dos problemas de saúde associados;
2) Redução dos custos de energia
Os proprietários esperam que a renovação energética reduza as suas faturas mensais de energia através de medidas como o isolamento térmico das envolventes dos edifícios, a substituição de janelas ou de sistemas de aquecimento, que podem reduzir significativamente o consumo de energia.
3) Aumento do valor da propriedade
O aumento da eficiência energética, a redução dos custos de aquecimento e arrefecimento e a criação de espaços de vida mais saudáveis contribuem para aumentar o valor das propriedades.
4) Sustentabilidade a longo prazo
Alguns proprietários reconhecem a renovação energética como uma proteção contra o aumento dos preços da energia e os impactos das alterações climáticas.
Resultados das auditorias
As auditorias revelaram que a maioria das casas auditadas, com paredes simples de tijolo ou pedra, não tem qualquer isolamento. As janelas e portas são antigas e ineficientes, a maioria com vidros simples e caixilharia de alumínio sem corte térmico. Os telhados são, na sua maioria, de duas águas e têm sótãos sem isolamento, causando perdas de calor significativas, o que contribui ainda mais para a ineficiência energética. As habitações dependia de sistemas de aquecimento obsoletos (lareiras abertas ou aquecedores a óleo).
As visitas no terreno e conversas com os proprietários de casas de família revelaram que muitos não estavam totalmente conscientes dos benefícios da renovação energética. No entanto, através do contacto com especialistas no local, adquiriram uma compreensão mais ampla das vantagens e expectativas comuns associadas a tais renovações.
Algumas recomendações para a ação
1) A importância das campanhas de sensibilização personalizadas e aconselhamento sobre os impactos reais das renovações energéticas no bem-estar, nomeadamente:
-Informar sobre os benefícios económicos das renovações energéticas
-Divulgar e promover os apoios financeiros existentes para as entidades locais que desenvolvam programas de apoio à renovação energética da habitação social
– Informar sobre os benefícios para a saúde associados em termos de doenças respiratórias, reumatológicas e mentais;
Impactos na melhoria do desempenho intelectual das crianças.
2) Racionalização do acesso ao apoio técnico e financeiro – Balcão único
Através da criação de balcões únicos, por exemplo, uma loja itinerante que se desloca um a dois dias por semana em cada localidade;
Reforço das capacidades das autarquias locais e das juntas de freguesia para ajudar na apresentação de propostas;
Desburocratizar o processo / Simplificar o acesso ao apoio;
Promover a agregação de projetos que desenvolvam a cadeia de abastecimento de renovação e aumentem a oferta de serviços de renovação;
Unir esforços entre diferentes partes interessadas (e agregar projetos).
Potenciais serviços a serem oferecidos incluem:
– Auditorias energéticas gratuitas ou subsidiadas para identificar as necessidades de renovação.
– Prestar assistência técnica aos agregados familiares no planeamento e implementação das renovações.
– Formar os empreiteiros e instaladores locais em técnicas de eficiência energética para garantir uma execução dos trabalhos com qualidade.
3) O envolvimento do governo local, dos GAL, das instituições de financiamento, das instituições sociais, das empresas locais e das cooperativas CER, entre outros, é essencial para mapear e abordar os mais necessitados
Se os roteiros forem adotados pelas autarquias e incluídos nos seus planos urbanísticos, os constrangimentos à melhoria do parque imobiliário serão reduzidos;
Um roteiro que defina um quadro comum de intervenção de renovação orientará as empresas e facilitará o processo para as famílias vulneráveis, que não podem pagar o processo de renovação global;
A agregação de projetos aumentará a procura de serviços de renovação energética, promovendo assim a competitividade económica local e a inovação;
- Criar condições para que os residentes realizem obras de renovação a custos e qualidade razoáveis;
- Fornecer apoio técnico e sessões de reforço de capacidades aos municípios e auditorias energéticas gratuitas ou subsidiadas para identificar as necessidades de renovação;
- Fornecer programas de formação para empreiteiros e instaladores para garantir a qualidade da implementação;
- Partilhar as melhores práticas e fornecer estudos de casos simples como exemplos;
- Dinamizar Workshops práticos sobre o processo de renovação;
- Emitir uma lista de bons contratantes com base nos participantes na formação e que cumprem um conjunto de requisitos de elegibilidade.
4) Melhorar os regimes de financiamento
- Criar regimes de financiamento específicos para a renovação de edifícios destinados às populações mais vulneráveis;
- Introduzir benefícios fiscais e bónus de poupança de energia como parte do sistema de certificação energética dos edifícios;
- Introduzir critérios sociais na atribuição de benefícios financeiros e fiscais e uma fiscalização apertada e justa, para não premiar os prevaricadores e penalizar quem se esforça e empenha;
- Envolver os fornecedores de energia através de obrigações de financiamento de renovações como parte das suas Obrigações de Eficiência Energética;
- Financiamento das renovações através da diversificação dos fluxos de financiamento. Embora existam incentivos financeiros disponibilizados pelo governo, estes incentivos cobrem normalmente até 80% do custo total da renovação, na melhor das hipóteses, e os proprietários não têm capacidade para cobrir os custos restantes. Por conseguinte, é necessário combinar o financiamento, envolvendo diferentes intervenientes dos sectores público e privado.