O território que integra a Beira Serra é marcado pela sua homogeneidade geográfica e sociodemográfica, com caraterísticas similares a outras regiões do interior do país, nomeadamente a diminuição de população, sobretudo nas faixas etárias mais jovens, baixa densidade demográfica e envelhecimento populacional, o que se traduz na existência de elevados índices de dependência.
O seu tecido económico é composto essencialmente por micro e pequenas empresas, cuja atividade está muito relacionada com o potencial endógeno que a região oferece, embora as dinâmicas industriais da região sejam muito díspares entre os concelhos, existindo um conjunto de médias empresas que desenvolvem atividade ligadas aos sectores tradicionais, como as confeções, as madeiras e a construção civil, que requerem mão-de-obra intensiva e pouco qualificada.
A região dispõe de um conjunto de infraestruturas, de organizações e de empresas instaladas para além de todo um património edificado, de riqueza histórica e cultural e de privilegiada posição geográfica no Centro de Portugal Continental. A população apresenta ainda baixos níveis de rendimentos, quer ao nível das pensões da segurança social como ao nível do ganho médio mensal, e níveis de desemprego que afetam especialmente as mulheres, a que não são alheias as reduzidas competências e qualificações profissionais.
A ausência de massa crítica e de dimensão das intervenções, surge assim como um dos principais entraves às dinâmicas económicas e sociais da Beira Serra. A existência de uma cultura de parceria enraizada e a grande experiência de trabalho conjunto, têm permitido ultrapassar alguns dos constrangimentos que afetam o território e ao mesmo tempo, valorizar o seu potencial, transformando a interioridade e os seus ativos em vantagem competitiva. A zona de intervenção proposta e os Municípios que a compõem têm, assim, uma longa tradição de cooperação e associativismo intermunicipal.
Quanto ao enquadramento espacial da região, estamos em presença de quatro concelhos limítrofes, cuja proximidade à cidade de Coimbra se traduz em intensas trocas de inputs e outputs imprescindíveis para as suas dinâmicas regionais/locais, nomeadamente no que concerne à produção de conhecimento e à satisfação de necessidades a que o território ainda não responde.
Esta ligação a Coimbra, mas também à Serra da Estrela, tem igualmente impactos no reforço do potencial turístico, acrescido pela disseminação no território de marcas de referência turística nacionais como as Aldeias do Xisto, as Aldeias Históricas e as Aldeias de Montanha.
Também ao nível da Denominação de Origem de alguns produtos de qualidade, este é um território coeso, porquanto os seus Concelhos fazem parte da região demarcada do Queijo Serra da Estrela e do Vinho do Dão, à exceção de Góis, estando este Concelho e Arganil integrados na zona de produção do Mel DOP Serra da Lousã, o que facilita a dinamização de projetos e iniciativas conjuntas, ligadas à produção, comercialização e promoção destes e outros produtos locais de qualidade.
Em simultâneo, a floresta e o espaço florestal representam outro dos elementos congregadores deste território, nomeadamente ao nível do aproveitamento dos recursos que disponibiliza, sendo um importante fator de desenvolvimento da região, pelos impactos económicos e sociais que pode provocar.
Esta é uma região que tem procurado, com intervenções integradas que se baseiam nos seus recursos intrínsecos e através do enraizamento de uma cultura de compromisso e parceria, vencer as dificuldades características dos territórios de baixas densidades (populacional, serviços públicos, acessibilidades, …).
A Beira Serra demonstra possuir identidade e um projeto próprio, que se pretende projetar no futuro, procurando ativar sinergias que reforcem a sua competitividade e atratividade, sem descurar o valor que sempre atribuiu às pessoas, enquanto seu principal recurso, e desta forma, “Assumir um Compromisso Transformador para a Beira Serra, através de um Território +: Sustentável, Competitivo, Local, Digno, Inclusivo e Ligado”, valorizando o potencial endógeno da Beira Serra e transformá-lo, com base na inovação, em produtos geradores de riqueza e emprego, que permitam promover a competitividade, a inclusão social e a coesão territorial.